Cia. Asfalto de Poesia ©  21

EU TRANSITO

SINOPSE

Um ônibus desgovernado transita inerte pelo conturbado caos urbano. Com o passar das horas, dias, semanas, anos, quatro criaturas se veem forçadas a conviver com suas diferenças para se manterem vivas. O espetáculo é inspirado em O Túnel, peça de Dias Gomes escrita em 1968. Desenvolvido em parceria com a Trupe Sinhá Zózima, apresentado no Terminal Parque Dom Pedro II e no Encontro de Mulheres Palhaças. 

Atrizes criadoras: Amanda Massaro, Marcela Sampaio e Maria Silvia do Nascimento

Direção: Caio Marinho

Música e técnica: Rebeka Teixeia

Público: A partir dos 12 anos.

Duração: 60 minutos

O Olhar de quem assistiu:

II Mostra de teatro no ônibus
21/6_ terça-feira_ 20h
“Eu transito”, de Cia. Asfalto de Poesia (ABC paulista/SP)

Por Ana Carolina Marinho

Terminal Parque Dom Pedro II.


O ônibus está estacionado e aguardamos a liberação para subir. Sou a primeira e sinto um prazer imenso em poder escolher qualquer um dos assentos. Sensação próxima a de encontrar banco vazio no transporte público na viagem de volta. Estamos na iminência de partir, mas permanecemos. “Motorista, cadê você?” É fácil perceber que onde há cores há vida e teatro. Estamos todos acinzentados pelo frio, mas aquelas três mulheres devolvem os tons quentes ao cotidiano. As portas são trancadas e permaneceremos por anos ali. “Ela está olhando para mim”. A espera acanhada cede lugar à uma inquietação neurótica. Diante do que é urgente para mim, ignoro o outro. Berramos desse lado das janelas, enquanto do outro, alguns transeuntes ignoram nossa urgência. A pressa é apática demais para o afeto. E se aqui dentro não vivermos uma utopia, nos mataremos em breve. “Que linda”. Gosto dessa utopia e de seu senso de humor, brinco de dança das cadeiras, enquanto ela sussurra uma canção ao pé do ouvido. Como é possível viajar mesmo ali parado? Nessa trajetória de algum lugar para lugar algum definitivamente não interessam o ponto de chegada nem o de partida. A utopia é essa mulher que me faz rir e quero permanecer ali, mesmo parada, ao seu lado. As portas se abrem e é difícil aceitar a urgência que berra lá fora. “Não vão embora não”.

Assista ao vídeo sobre o projeto Toda Terça Tem Trabalho, Tem Também Teatro: